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O cocó do bebé

8 Maio, 2021

Todos os pais já se preocuparam com as fezes dos seus bebés. Mas a boa notícia é que é muito raro um bebé ter uma evacuação anormal. Assim sendo, deixamos-lhe algumas características do cocó para que possa analisar o que pode ser ou não preocupante.

 

Cor

As fezes são compostas por comida digerida, bactérias, células que caem do intestino e bílis. No nascimento, o intestino dos recém-nascidos é estéril, mas em apenas algumas semanas este (e o cocó) enchem-se das mais variadas e saudáveis bactérias. As crianças que consomem leite materno ingerem diferentes proteínas todos os dias, dependendo do que a mãe come, o que causa a variação de cor nas fezes. Já os bebés que são alimentados através de fórmulas recebem as mesmas proteínas todos os dias, mas as variações de bactérias também podem mudar as cores das evacuações. Portanto, o cocó de um dia pode parecer bem diferente do cocó do dia a seguir, e isso é normal.

 

Consistência

As fezes de bebés e de crianças podem ter a consistência espessa de uma pasta, de queijo cottage ou de iogurte. As evacuações de bebés que mamam no peito normalmente assemelham-se a mostarda. Já o cocó daqueles que se alimentam com fórmulas tende a ter a consistência parecida com a de um pudim. Se o seu filho, independentemente da idade, evacuar algo parecido com fezes de gato ou de coelho, provavelmente ele está com prisão de ventre. Se o cocó está mais duro do que deveria, fale com o pediatra.

 

Frequência

A quantidade de evacuações por dia não é tão importante como a maioria das pessoas pensa, mas é algo que preocupa os pais de primeira viagem. Depois dos seis meses de vida, mais do que quatro cocós diários pode ser considerado excessivo. Já para bebés que ainda são amamentados, uma evacuação por semana é muito pouco. Para crianças maiores de 2 anos, o normal é ao menos uma vez ao dia. As fezes precisam de se mover no intestino gradualmente. Ainda assim, a aparência é mais importante do que a frequência com que troca a fralda do seu bebé.

 

Odor

O cheiro é um reflexo de quanto tempo as fezes ficam dentro do intestino. Quanto mais tempo este fica em contacto com bactérias dentro do organismo, mais forte será o odor. No entanto, alguns bebés que têm evacuações com um cheiro podre podem ter intolerância ou alergia a alguma substância. Normalmente, os que mamam no peito não fazem cocó com mau cheiro. Os que tomam fórmulas evacuam com um pouco mais de mau odor. Já quando são adicionadas papinhas na alimentação, o cheiro será muito mais marcante. Isto porque outras fontes de proteínas estarão presentes nas fezes. No entanto, se achar que as fezes do seu filho têm um odor demasiado forte, consulte o pediatra.

 

 

No útero

Por mais estranho que possa parecer, as fezes começam a formar-se no intestino do bebé antes do seu nascimento. Neste momento, estas estão cheias de mecónio, uma substância estéril e viscosa, feita do líquido amniótico que é ingerido pela criança, bilís e células corporais.

 

De um a 4 meses

Com três ou quatro dias de vida, as fezes mudam do mecónio para uma substância aguada. Em geral, os bebés sujam até dez fraldas por dia até ao segundo mês de vida. Aos 4 meses, este número cai para entre duas a quatro fraldas. Isto acontece por causa do reflexo gastro-cólico, que ocorre quando o estômago se alarga com a comida e o cólon é alertado para se esvaziar e dar espaço para mais comida. Nos bebés, o reflexo gastro-cólico é imaturo, deste modo, cada vez que são alimentados, deixam escapar um pouco de fezes.  Bebés nutridos com fórmulas evacuam com menos frequência do que aqueles que mamam no peito, porque as fezes movem-se pelo intestino mais devagar. Sujam as fraldas de uma a duas vezes por dia depois do segundo mês de vida – em alguns casos, este número pode chegar a três e até quatro vezes por dia.

 

De 5 a 12 meses

Uma vez que o bebé começa a comer papinhas, entre os 4 e 6 meses de idade, as fezes mudam. Enquanto o cocó dos que bebem leite materno costuma engrossar com a adição de alimentos à dieta, os cocós dos bebés que bebem fórmulas fica mais mole. Se amamenta o seu filho, irá ver que quando este começar a ingerir comidas mais sólidas e variar a dieta, também passará a evacuar muito mais.

 

De um a 3 anos

Quando a criança para de beber leite, as fezes continuam a mudar. Para a maioria, estas tornam-se mais espessas e duras. Entre os 12 e 18 meses de idade, provavelmente vai notar que os vegetais serão facilmente identificados nas fraldas do seu bebé, pois são alimentos mais difíceis de serem digeridos. Com o passar do tempo, a comida será melhor digerida. Várias pesquisas mostram que o momento apropriado para tirar a fralda é entre os dois anos e dois anos e meio.

 

De 3 a 5 anos

Nesta idade, é ideal que as crianças evacuem uma vez por dia, com facilidade e sem dor nenhuma. No entanto, a obstipação é algo muito comum nesta fase. Repare se o cocó faz lembrar uma sopa, uma cobra ou bolinhas. A forma mais saudável é a de uma longa cobra.

 

As crianças que estão com obstipação têm problemas e evitam até ir à casa de banho porque têm medo da dor. Para tratar este problema, é recomendável que 50% da dieta calórica seja baseada em frutas e verduras. Também não devem beber mais do que dois ou três copos de leite por dia. Os pais devem encorajar os filhos a tentar ir à casa de banho logo após as refeições. Se nada disto funcionar, consulte o médico.

 

Sinal de alerta: quando consultar o médico

Se o cocó estiver branco (é um sinal de que o bebé não está a produzir bilís suficiente), preto (que indica sangue digerido do estômago ou do intestino), ou se contém estrias vermelhas (pode significar que o cólon ou o reto estão a sangrar). Se o seu filho gritar de dor ou sangrar quando evacua. Se houver muco nas fezes, o que pode significar uma infeção ou intolerância a alguma substância.

Se as fezes mudarem de aparência radicalmente depois que um novo alimento for introduzido na dieta – tal pode ser sinal de alergia.

Se as fezes ainda forem muito líquidas quando a criança já tiver um ano, o que pode alterar o funcionamento do intestino.

 

Antibióticos

Se o seu filho está a tomar antibióticos, pode ter diarreia, gases, irritação no estômago, ou evacuações mais frequentes. Por isso, estes são aconselhados apenas quando necessários. Comer/beber iogurtes com lactobacilos vivos ajuda a prevenir estes possíveis efeitos. Pergunte também ao pediatra sobre dar probióticos ao seu filho durante a toma dos antibióticos. Pesquisas mostraram que isto pode diminuir a probabilidade de diarreia.

 

Gastroenterite

As crianças com vírus estomacais chegam a vomitar várias vezes por um período de até 24 horas. Mas a evacuação é outra história. O prazo para as fezes voltarem ao normal, depois de uma virose pode chegar a duas semanas. Isto porque quando um vírus se aloja no intestino, leva tempo para as “boas bactérias” retomarem o seu lugar e deixarem o cocó com a mesma aparência que tinha anteriormente.

 

Viagens

Durante as viagens pode-se tornar difícil o seu filho manter-se hidratado, o que resulta numa evacuação mais complicada, com fezes mais duras. Estas também podem ficar mais líquidas, pois quando bebemos água de lugares novos, as bactérias que vivem no nosso intestino podem mudar e causar alterações na evacuação. Tente fazer com que o seu filho beba/coma iogurtes com lactobacilos vivos. Tomar probióticos uma semana antes de viajar pode também ser uma boa opção.

 

Teve muitas preocupações com os cocós dos seus filhos?

Esperamos que a informação deste post lhe possa ser útil.

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